Células CAR eficazes para erradicar o vírus da Aids em seus reservatórios

Eficaz na luta contra certos tipos de câncer, a tecnologia das células CAR também poderia possibilitar a eliminação do vírus da Aids em pessoas em remissão em tratamento. Um novo avanço na terapia genética, no qual muitas esperanças se baseiam.

Como sabemos, o HIV ataca o sistema imunológico e especialmente as células T, glóbulos brancos essenciais para esse sistema. Até agora, os tratamentos com medicamentos têm sido bem-sucedidos em conter o desenvolvimento do vírus no organismo, mas este, depois de desaparecer do sangue, permanece oculto nos "reservatórios".
Nos últimos anos, os pesquisadores estudaram terapia genética para erradicar completamente o vírus. O objetivo final é liberar completamente o sistema imunológico do vírus, destruindo células inativas que abrigam o HIV e servem como reservatório para a reinfecção do corpo assim que o tratamento antiviral for interrompido.
De acordo com um estudo publicado na revista PLOS Pathogens, as células-tronco do sangue CAR-T, obtidas graças a uma modificação genética, poderiam ser usadas para combater as células do sistema imunológico, os linfócitos T, infectados pelo vírus da Aids, esses famosos tanques e imunidade por pelo menos 2 anos.

O que são células CAR-T?

Do inglês "Receptor de Antígeno Quimérico", as células CAR-T são geralmente células T geneticamente modificadas. Um linfócito T é um glóbulo branco secretado pelo timo. Ela desempenha um papel importante no sistema imunológico, pois ajuda a proteger as células de germes e infecções. Se houver um micróbio, as células T serão coletadas com outros tipos de glóbulos brancos para eliminá-lo.
Na origem da técnica CAR-T (receptor quimérico do antígeno), esses linfócitos T são geneticamente modificados para transportar um gene que codifica para expressar em sua superfície um receptor quimérico para um antígeno específico do câncer, a fim de reconhecer as células cancerígenas e matá-las. As células CAR-T são uma esperança particular em vários tipos de câncer no sangue (leucemia, linfoma, mieloma) e cérebro (glioblastoma).
No caso do HIV, os pesquisadores projetaram células da camada hematopoiética que carregam seus receptores quiméricos de superfície direcionados contra o HIV e suas partículas que são expressas na superfície das células infectadas. Por serem células-tronco, essas células CAR anti-HIV vão para a medula óssea e destroem as células imunológicas infectadas pelo HIV que estão lá.

Incentivar resultados a longo prazo

No momento, o experimento foi bem-sucedido em animais de laboratório, mas as células-tronco anti-HIV CAR são bastante promissoras na erradicação de células reservatórias infectadas pelo vírus da Aids.
Além de destruir as células da medula infectadas pelo HIV, as células-tronco anti-HIV CAR sobreviveram 2 anos na medula e continuaram a se multiplicar para produzir células CAR direcionadas contra o HIV pelos próximos dois anos. seguido.
Os pesquisadores veem isso como uma maneira de criar, além disso, uma imunidade a longo prazo contra o vírus. No entanto, essa terapia gênica só entra em ação após a remissão do antirretroviral e é provável que continue por algum tempo, mas pode ser interrompida.

Segundo os autores do estudo, essa descoberta pode mudar radicalmente a estratégia de tratamento.