Salmonella: cada vez mais resistente a várias classes de antibióticos

Cientistas brasileiros descobriram que as principais espécies de bactérias responsáveis ​​pela intoxicação alimentar por salmonela apresentam resistência significativa a antibióticos.

Uma equipe de cientistas brasileiros da Universidade de São Paulo, liderada por Juliana Pfrimer Falcão, professora da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto (FCFRP-USP), estudou o genoma de mais de 90 cepas de bactérias salmonelas para medir seu impacto sobre saúde humana e sua resistência aos antibióticos.

Intoxicação alimentar por Salmonella

A salmonelose é uma intoxicação alimentar caracterizada pelo desenvolvimento de salmonelas no intestino, uma bactéria encontrada nos alimentos quando as condições de higiene não são respeitadas. Os sintomas da salmonelose são mais frequentemente associados aos de intoxicação alimentar: cólicas estomacais, diarréia, náusea, vômito ... e, em alguns casos, uma grande fadiga e febre.

Quando atravessa a barreira intestinal e penetra no sangue, a salmonelose é tratada (com mais frequência) pelo uso de antibióticos. No entanto, um estudo brasileiro publicado na revista Plos One em agosto passado, trouxe à tona a resistência das bactérias salmonelas aos tratamentos antibióticos utilizados.

"Recebemos amostras de sangue, abscessos cerebrais e excremento de diarréia humana", diz a bióloga Amanda Seribelli, que participou do trabalho.

Resistência de 2 bactérias responsáveis ​​pela salmonelose

Ao testar a ação dos antibióticos em cada uma das 90 cepas estudadas, os cientistas descobriram que 39 cepas de salmonela eram resistentes a diferentes classes de antibióticos, incluindo sulfonamidas, 44 (48,9%), estreptomicina, 27 (30%), tetraciclina, 21 (23,3%) e gentamicina (7,8%).

A bactéria salmonela é dividida em duas espécies principais: S. bongori e S. enterica. A segunda é a espécie que causa mais infecções de origem alimentar do que qualquer outra espécie no Brasil e no mundo.

Especificamente, as bactérias S. Typhimurium, subespécies de S.enterica são as principais responsáveis ​​pelos casos de salmonelose. "É impressionante que S. Typhimurium seja resistente a antibióticos que podem ser usados ​​para tratar a doença", diz Seribelli.

Um risco maior hoje do que nos anos 50

A bactéria S. Enteritidis é conhecida desde a década de 1950. Mas a pandemia de S. Enteritidis, que começou no final dos anos 80 na Europa e depois se espalhou pelo mundo, mudou radicalmente a situação.

"Esse grande número de genes de resistência nas amostras destaca o risco muito alto de contaminação no Brasil, mas também no resto do mundo, por alimentos que contêm cepas de Salmonella resistentes a antimicrobianos", diz a bióloga Fernanda Almeida, Irmã Amanda Seribelli.

Na França, intoxicação alimentar, ou "infecções transmitidas por alimentos", representaria a cada ano cerca de 1,5 milhão de casos e levaria a mais de 17.000 hospitalizações e mais de 200 mortes, segundo estimativas da Agência de Saúde Pública da França.